As descobertas de Azalin
Azalin partiu do esconderijo da floresta com cautela rumo à região norte de Dragórios. Seu destino era a Torre da Sabedoria, localizada no complexo da Academia Arcana da cidade.
Uma grande perplexidade tomava conta da mente do jovem mago graduado. Os fatos relacionados à Barrin eram incriminadores e seus desdobramentos levavam a conclusões lógicas auto-evidentes. Azalin simplesmente não podia mais ignorar aquelas conclusões, portanto agiu para adquirir mais informações com o objetivo de confirmar ou, de maneira improvável, refutar o cenário catastrófico que se desenhava em sua mente.
Atravessar os portões não foi uma tarefa difícil. O caos gerado pela explosão na Torre do Arquimago facilitou o processo. A maioria dos guardas e aprendizes o conhecia, mas Azalin se esforçou para não ser notado naquela empreitada. Não teve muitas dificuldades para chegar até o laboratório do Mago Mestre Barrin utilizando seu familiar como batedor e esperando o melhor momento para se mover.
Agora, entretanto, uma maior prudência se impunha necessária. A porta de madeira reforçada do laboratório estava fechada e o mago encostou a orelha nela para tentar ouvir algum sinal da presença de seu mestre. Um profundo silêncio emanava do recinto, em contraste com os gritos e agitação que ecoavam nas janelas das escadas. Azalin concentrou-se para verificar se havia algum tipo de efeito mágico protegendo o local mas não conseguiu detectar nada. Ele então adotou ainda mais cautela com aquela constatação.
Girou lentamente a maçaneta e, surpreso, ouviu o estalido metálico que indicava a abertura da lingueta da fechadura. Abriu a porta vagarosamente, apenas para fitar a escuridão que envolvia o laboratório. Um feixe de luz invadia o recinto vindo de uma lamparina presa na parede da escada, mas Azalin não precisava daquela luz. Retirou uma moeda de cobre de um de seus vários bolsos e sussurrou palavras complexas por alguns instantes. A moeda então passou a emitir uma luminosidade suave, que poderia ser fácil e rapidamente bloqueada pelo fechar de punho do jovem mago caso fosse necessário.
Azalin levantou a moeda e todo o laboratório se iluminou. Sobre a mesa principal, estavam vários frascos e vasilhames utilizados para confecção dos mais diferentes tipos de poções. Também estavam jogados sobre a grande mesa vários papiros, pequenos crânios, algumas pedras porosas e coloridas, várias penas, um tinteiro e algumas moedas de prata. O jovem mago foi até a porta que levava ao quarto de Barrin e após se concentrar por alguns instantes, não ouviu nenhum ruído vindo dali. Então começou a ler os papiros e, depois de alguns minutos de leitura metódica e disciplinada, foi surpreendido mais uma vez com o conteúdo de um deles.
Tratava-se de uma carta escrita pelo Duque de Ankar e endereçada para Barrin. O Duque fornecia instruções para a elaboração de uma poção explosiva que apenas detonasse após um determinado período de tempo. Aquela nova informação modificou o cenário que se desenhava na mente de Azalin. Ao final, a carta oferecia um pagamento exorbitante pela poção e pelo total sigilo daquele pedido.
Azalin anotou mentalmente todas àquelas informações e continuou lendo os pergaminhos e vasculhando o laboratório. Encontrou algumas cartas do recluso Mago Mestre Abenthy, a maior autoridade do Reino quando o assunto eram poções e artefatos mágicos, aparentemente respondendo algumas perguntas realizadas por Barrin sobre determinadas combinações complexas de elementos químicos e mágicos. Também encontrou uma carta não terminada endereçada ao Mestre Ferreiro de Fortinária, requisitando a construção de um cofre, jóias, acessórios e uma grande quantidade de utensílios metálicos e cerâmicos utilizados nas artes arcanas e alquímicas, cujo valor total certamente seria extremamente elevado.
Na pequena escrivaninha de Barrin, no canto do cômodo, repousava aberto o grande e imponente grimório do Mago Mestre. Azalin já o tinha visto algumas vezes e sempre admirava a bela capa de ébano forrada com couro de Grifo. As páginas também eram de uma qualidade excepcional, mas Azalin sabia que o maior valor naquele grimório eram os feitiços e encantamentos nele contidos. Aproximou-se e começou a analisar o feitiço que estava escrito na página aberta. Percebeu que era uma magia necromântica, mas sua complexidade estava além da compreensão de uma análise superficial.
Compreender àquele feitiço tomaria tempo demais, portanto apenas memorizou todas as palavras da página e passou a verificar as gavetas da escrivaninha. Todas, com exceção de uma, estavam abertas e não continham nada de notável. A última gaveta estava fechada e a intuição de Azalin o levou a suspeitar daquele fato. Pegou um atiçador da lareira e forçou a gaveta com uma alavanca até ouvir um estalido. A fechadura partiu a madeira e a gaveta se abriu com poucos danos aparentes. Apenas uma chave dourada repousava na gaveta.
Então houve um barulho vindo da porta que dava para o quarto adjacente. Azalin pegou a chave dentro da gaveta e rapidamente a fechou. Fechou o punho, bloqueando totalmente a luz que emanava da moeda e enfiou-se embaixo da escrivaninha. Um flash de luz esverdeada emanou do quarto através da porta fechada, alguns instantes depois, a porta se abriu e um som sibilante ecoou no ambiente, seguido de outro flash esverdeado e um baque surdo. Azalin reconheceu a língua ofídica dos Yuan-ti e, entre os sibilos e sons ininteligíveis, ele apenas identificou uma palavra: "Nessali".
Então uma sombra esguia se projetou na parede oposta à porta que levava às escadas e o som de uma respiração profunda tomou conta do cômodo. Azalin prendeu a respiração e observou enquanto a silhueta se movia em direção à grande mesa e ficava cada vez maior na parede. A criatura começou a vasculhar os utensílios sobre a mesa por alguns instantes, procurando por alguma coisa até que Azalin não conseguiu mais prender a respiração.
O jovem mago tentou inspirar em silêncio, mas não foi bem sucedido. Assim que o ar entrou novamente em seus pulmões, a figura na parede ficou alerta e imóvel. Azalin colocou a pedra luminosa dentro de um de seus bolsos e agarrou um punhado de areia em outro, logo abaixo. Aquele era o componente mágico necessário para conjurar sua profícua magia de sono e Azalin se preparou para um confronto iminente.
Então ouviu outros sons vindos das escadas da Torre. Vozes e passos ecoavam pela escada e, aparentemente, a figura da silhueta não tinha nenhuma intenção de lutar. Um novo flash esverdeado iluminou momentaneamente o laboratório e a sombra da criatura desapareceu da parede. As vozes e os passos ecoaram por mais alguns segundos, mas logo se afastaram. Azalin então se levantou com a areia na mão e, sob a penumbra da lamparina das escadas, seus olhos avistaram um corpo caído ao chão, próximo à porta do quarto.
Azalin largou a areia e correu em direção ao corpo assim que o reconheceu. Barrin tinha os músculos atrofiados e a pele enegrecida, ressecada e pútrida. Seus olhos eram dois globos vitrificados cujas íris tinham uma fúnebre cor azulada esbranquiçada. O jovem mago reconheceu imediatamente os resquícios de magia necromântica poderosa no corpo de seu antigo mestre. A fúria e o pesar rapidamente deram lugar à razão e a urgência. Precisava sair logo dali antes que alguém aparecesse. Sua mente acelerou e, antes de partir, ele pegou o valioso grimório de Barrin e a carta do Duque.
Na pressa da fuga, não conseguiu evitar ser avistado por dois aprendizes que estavam passando pelo corredor. Cumprimentou-os de maneira cordial e seguiu seu caminho rumo ao Templo de Úkion da Vila dos Ratos, onde esperava encontrar Arduin e o improvável, mas até então confiável, grupo de companheiros para compartilhar suas novas descobertas.
Uma grande perplexidade tomava conta da mente do jovem mago graduado. Os fatos relacionados à Barrin eram incriminadores e seus desdobramentos levavam a conclusões lógicas auto-evidentes. Azalin simplesmente não podia mais ignorar aquelas conclusões, portanto agiu para adquirir mais informações com o objetivo de confirmar ou, de maneira improvável, refutar o cenário catastrófico que se desenhava em sua mente.
Atravessar os portões não foi uma tarefa difícil. O caos gerado pela explosão na Torre do Arquimago facilitou o processo. A maioria dos guardas e aprendizes o conhecia, mas Azalin se esforçou para não ser notado naquela empreitada. Não teve muitas dificuldades para chegar até o laboratório do Mago Mestre Barrin utilizando seu familiar como batedor e esperando o melhor momento para se mover.
Agora, entretanto, uma maior prudência se impunha necessária. A porta de madeira reforçada do laboratório estava fechada e o mago encostou a orelha nela para tentar ouvir algum sinal da presença de seu mestre. Um profundo silêncio emanava do recinto, em contraste com os gritos e agitação que ecoavam nas janelas das escadas. Azalin concentrou-se para verificar se havia algum tipo de efeito mágico protegendo o local mas não conseguiu detectar nada. Ele então adotou ainda mais cautela com aquela constatação.
Girou lentamente a maçaneta e, surpreso, ouviu o estalido metálico que indicava a abertura da lingueta da fechadura. Abriu a porta vagarosamente, apenas para fitar a escuridão que envolvia o laboratório. Um feixe de luz invadia o recinto vindo de uma lamparina presa na parede da escada, mas Azalin não precisava daquela luz. Retirou uma moeda de cobre de um de seus vários bolsos e sussurrou palavras complexas por alguns instantes. A moeda então passou a emitir uma luminosidade suave, que poderia ser fácil e rapidamente bloqueada pelo fechar de punho do jovem mago caso fosse necessário.
Azalin levantou a moeda e todo o laboratório se iluminou. Sobre a mesa principal, estavam vários frascos e vasilhames utilizados para confecção dos mais diferentes tipos de poções. Também estavam jogados sobre a grande mesa vários papiros, pequenos crânios, algumas pedras porosas e coloridas, várias penas, um tinteiro e algumas moedas de prata. O jovem mago foi até a porta que levava ao quarto de Barrin e após se concentrar por alguns instantes, não ouviu nenhum ruído vindo dali. Então começou a ler os papiros e, depois de alguns minutos de leitura metódica e disciplinada, foi surpreendido mais uma vez com o conteúdo de um deles.
Tratava-se de uma carta escrita pelo Duque de Ankar e endereçada para Barrin. O Duque fornecia instruções para a elaboração de uma poção explosiva que apenas detonasse após um determinado período de tempo. Aquela nova informação modificou o cenário que se desenhava na mente de Azalin. Ao final, a carta oferecia um pagamento exorbitante pela poção e pelo total sigilo daquele pedido.
Azalin anotou mentalmente todas àquelas informações e continuou lendo os pergaminhos e vasculhando o laboratório. Encontrou algumas cartas do recluso Mago Mestre Abenthy, a maior autoridade do Reino quando o assunto eram poções e artefatos mágicos, aparentemente respondendo algumas perguntas realizadas por Barrin sobre determinadas combinações complexas de elementos químicos e mágicos. Também encontrou uma carta não terminada endereçada ao Mestre Ferreiro de Fortinária, requisitando a construção de um cofre, jóias, acessórios e uma grande quantidade de utensílios metálicos e cerâmicos utilizados nas artes arcanas e alquímicas, cujo valor total certamente seria extremamente elevado.
Na pequena escrivaninha de Barrin, no canto do cômodo, repousava aberto o grande e imponente grimório do Mago Mestre. Azalin já o tinha visto algumas vezes e sempre admirava a bela capa de ébano forrada com couro de Grifo. As páginas também eram de uma qualidade excepcional, mas Azalin sabia que o maior valor naquele grimório eram os feitiços e encantamentos nele contidos. Aproximou-se e começou a analisar o feitiço que estava escrito na página aberta. Percebeu que era uma magia necromântica, mas sua complexidade estava além da compreensão de uma análise superficial.
Compreender àquele feitiço tomaria tempo demais, portanto apenas memorizou todas as palavras da página e passou a verificar as gavetas da escrivaninha. Todas, com exceção de uma, estavam abertas e não continham nada de notável. A última gaveta estava fechada e a intuição de Azalin o levou a suspeitar daquele fato. Pegou um atiçador da lareira e forçou a gaveta com uma alavanca até ouvir um estalido. A fechadura partiu a madeira e a gaveta se abriu com poucos danos aparentes. Apenas uma chave dourada repousava na gaveta.
Então houve um barulho vindo da porta que dava para o quarto adjacente. Azalin pegou a chave dentro da gaveta e rapidamente a fechou. Fechou o punho, bloqueando totalmente a luz que emanava da moeda e enfiou-se embaixo da escrivaninha. Um flash de luz esverdeada emanou do quarto através da porta fechada, alguns instantes depois, a porta se abriu e um som sibilante ecoou no ambiente, seguido de outro flash esverdeado e um baque surdo. Azalin reconheceu a língua ofídica dos Yuan-ti e, entre os sibilos e sons ininteligíveis, ele apenas identificou uma palavra: "Nessali".
O jovem mago tentou inspirar em silêncio, mas não foi bem sucedido. Assim que o ar entrou novamente em seus pulmões, a figura na parede ficou alerta e imóvel. Azalin colocou a pedra luminosa dentro de um de seus bolsos e agarrou um punhado de areia em outro, logo abaixo. Aquele era o componente mágico necessário para conjurar sua profícua magia de sono e Azalin se preparou para um confronto iminente.
Então ouviu outros sons vindos das escadas da Torre. Vozes e passos ecoavam pela escada e, aparentemente, a figura da silhueta não tinha nenhuma intenção de lutar. Um novo flash esverdeado iluminou momentaneamente o laboratório e a sombra da criatura desapareceu da parede. As vozes e os passos ecoaram por mais alguns segundos, mas logo se afastaram. Azalin então se levantou com a areia na mão e, sob a penumbra da lamparina das escadas, seus olhos avistaram um corpo caído ao chão, próximo à porta do quarto.
Azalin largou a areia e correu em direção ao corpo assim que o reconheceu. Barrin tinha os músculos atrofiados e a pele enegrecida, ressecada e pútrida. Seus olhos eram dois globos vitrificados cujas íris tinham uma fúnebre cor azulada esbranquiçada. O jovem mago reconheceu imediatamente os resquícios de magia necromântica poderosa no corpo de seu antigo mestre. A fúria e o pesar rapidamente deram lugar à razão e a urgência. Precisava sair logo dali antes que alguém aparecesse. Sua mente acelerou e, antes de partir, ele pegou o valioso grimório de Barrin e a carta do Duque.
Na pressa da fuga, não conseguiu evitar ser avistado por dois aprendizes que estavam passando pelo corredor. Cumprimentou-os de maneira cordial e seguiu seu caminho rumo ao Templo de Úkion da Vila dos Ratos, onde esperava encontrar Arduin e o improvável, mas até então confiável, grupo de companheiros para compartilhar suas novas descobertas.
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